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‘Nebulosas’ de Narcisa Amália fascinam e devoram – 28/03/2025 – Ilustrada

por Good News
março 29, 2025
em Cultura
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‘Nebulosas’ de Narcisa Amália fascinam e devoram – 28/03/2025 – Ilustrada
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Talvez não seja por acaso a cisma de escritoras com as nuvens, as únicas “deusas legítimas”, nas palavras de Sócrates. Na comédia de Aristófanes, essas divindades são invocadas para que ensinem a um endividado como “falar bem” e se livrar de seus credores “usando só as palavras”. Saber fazer coisas só com as palavras equipara-se à persuasão sofística e às nuvens que, por sua vez, “transformam-se no que desejam”.

A jornalista e poeta Narcisa Amália, de dentro das “névoas do Ocidente”, fez mais do que observar suas formas: atentou-se para a relação entre linguagem e turvação, no seu único livro publicado, “Nebulosas”, de 1872.

A obra foi recentemente publicada pela editora 34, no ano em que entra na lista de leituras obrigatórias da Fuvest, vestibular da Universidade de São Paulo, retomando com exímio cuidado as escolhas da primeira edição pela Garnier.

O clima enevoado do fim do século 19, a arregimentar os ânimos revolucionários e libertários, nutre-se da metáfora do ar suspenso e condensado, o que se nota em poemas como “Vinte e Cinco de Março” e “Miragem”, e com inflexões feministas em “Invocação” e abolicionistas em “O Africano e a Poeta” —temas dos mais notados pela crítica.

O nublar-se da época, de fato, afetou a todos, tanto que, poucos anos antes, Joaquim Manuel de Macedo já publicara um poema-romance intitulado “A Nebulosa”. Mas o contexto de aflição e incertezas políticas, pensado muitas vezes como sinônimo de história, não é a única razão para que a obra seja construída sob essa espécie de penumbra a embaçar a visão.

A presença das “gases vaporosas”, além de instaurar o clima penumbrista em versos vagos, imprecisos e nevoentos —muitas vezes intimando a poeta à escuta das “brisas suspirosas”, da “queixa túrbida das matas”, das “ondas murmurantes”, diálogo típico de obras românticas, “prestando uma fala a cada ente”—, outras tantas revela algo diferente dessa capacidade de poder em tudo transformar-se, mesmo que até a natureza saiba forjar uma imagem de si só moldando a linguagem.

As nuvens, em todo o seu simbolismo ambíguo, são trabalhadas por Narcisa como mão dupla: podem fascinar e devorar, persuadir ou fazer o sentido escoar.

Em “Amargura”, os versos dizem que “cedo esvaeceu-se a frívola miragem/ E fugitiva, rápida, desfez-se essa ilusão”. Tal como cortinas de ar, as nebulosas enganam. Se se transformam em tudo que se deseja, pelos formatos distintos que adquirem, fazem crer no que não há.

No poema que dá nome ao livro, o primeiro na sequência da obra, a poeta sinaliza como geralmente prefere-se crer na ilusão das formas, em haver algo no lugar de nada haver: “No seio majestoso do infinito/ […] Flutuam tênues sombras fugitivas/ Que a multidão supõe densas caligens”.

Entretanto, quando menos se espera, a densidade das brumas se rompe, e esse mimetismo e seus efeitos de uma liberdade vaporosa caem por terra, a exemplo do personagem endividado de Aristófanes, que acaba por se tornar vítima do seu próprio feitiço linguageiro.

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Entre desilusões e suposições sobre os desenhos no ar, Narcisa, no poema “Aflita”, confessa preferir a “tribo inquieta das falenas”, borboletas que se consomem tragicamente no exato instante em que tocam aquilo que as atraem.

Aí a ambiguidade da nuvem e de seu jogo de formas e cores alcança o ápice: tanto as imagens são fundamentais à maturação dos ideais, quanto o fascínio provocado pela fantasia tem o poder de fazer a falena se deixar capturar.

“Nebulosas” é, portanto, experiência ardente e fugidia, de dança suspensa e de precipitação, de suportes provisórios à imaginação: “Contemplarei o —nada— do seio das estrelas”. Desses “mundos no espaço”, a poeta faz uma obra singular com o que sobra das coisas frágeis, acomodação de restos do discurso e disfarces, e de poeira cósmica.

Parece pouco, mas é muito o saber fazer da palavra em relação ao engodo das aparências e com os equívocos da matéria. Ainda mais para uma escritora do século 19, a ter que interceder: “Não me perguntes mais com essa fala aérea/ Por que muda contemplo as tênues nebulosas”.

Etiquetas: brasilescritoresfolhaliteraturaliteratura brasileiralivrolivrospoesia
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