O líder de uma aliança rebelde que se apoderou de áreas do leste da República Democrática do Congo disse à agência Reuters nesta quinta-feira (20) que seus membros não estão ligados a um pedido de cessar-fogo dos presidentes da RDC e de Ruanda. Ele classificou qualquer acordo de troca de minerais por segurança com os EUA como traição.
O presidente da RDC, Felix Tshisekedi, e seu homólogo ruandês, Paul Kagame, reuniram-se em Doha na terça-feira pela primeira vez desde o último avanço do grupo M23. O encontro ocorreu um dia depois de integrantes da facção se retirarem das conversações diretas com o governo de Tshisekedi, que deveriam ocorrer em Angola. Nesta quinta (20), o M23 anunciou a tomada da cidade estratégica de Walikale.
O conflito no leste congolês tem suas raízes nas consequências do genocídio de 1994 em Ruanda e na disputa por riquezas minerais. Desde janeiro, a tensão se agravou, aumentando os temores de um conflito regional semelhante ao ocorrido de 1996 a 2003 e que deixou milhões de mortos.
“Não temos mais nada a perder. Lutaremos até que nossa causa seja ouvida“, disse Corneille Nangaa, líder da Aliança do Rio Congo (AFC), que inclui o M23, quando questionado sobre os planos do grupo.
“Estamos nos defendendo. Portanto, se a ameaça continuar a vir de Kinshasa (capital da República Democrática do Congo), infelizmente, seremos forçados a eliminar a ameaça porque o país merece algo melhor“, disse ele durante uma entrevista em Goma, a principal cidade do leste.
“Nesse meio tempo, o que aconteceu em Doha, enquanto não soubermos os detalhes e enquanto não resolver nossos problemas, diremos que não nos diz respeito”, acrescentou.
Ruanda nega apoiar o M23 e dizque seus militares agem em autodefesa contra o Exército da RDC e as milícias hostis a Kigali.
O líder rebelde também descartou a possibilidade de uma proposta de acordo de minerais por segurança com os Estados Unidos. O Departamento de Estado americano disse neste mês que estava aberto a explorar parcerias com a RDC na área de minerais essenciais, depois que um senador congolês entrou em contato com autoridades americanas para propor um acordo, embora Kinshasa não tenha detalhado publicamente sua proposta.
O presidente Tshisekedi disse à Fox News na quarta-feira que o país queria uma parceria que trouxesse paz e estabilidade. O rebelde Nangaa disse que os EUA seriam ingênuos se buscassem tal acordo. “O povo congolês, que é soberano, bloqueará o caminho para essa traição”, disse ele.
A AFC vem tentando demonstrar que pode estabelecer a ordem no território que detém. O porta-voz da aliança, Lawrence Kanyuka, disse na quarta-feira que o grupo estava trabalhando para reabrir o aeroporto de Goma, uma rota essencial para a entrega de ajuda humanitária.
O terminal havia sido fortemente danificado pelas forças congolesas antes de se retirarem da cidade no final de janeiro, segundo ele.








